segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A Importância do Trágico

A transição e as rupturas da vida me fazem pensar. E ando pensando muito. Pensar é difícil porque pode me levar a agir, e agir me traz medo,  porque o medo é a porta escancarada para o trágico. 

Então penso. A vida é trágica. Mas para ser ser feliz preciso deixar que a vida viva em mim, preciso deixar que a vida se alimente do que é profundamente meu. Preciso deixar que ela abra o seu caminho com a minha vontade e devore este medo. 
Eu vou deixar que a vida me percorra, eu quero que a vida me ocupe totalmente. Eu necessito da tragédia.


Então vem o medo, o vazio, a falsa proteção.  Eu sinto o cheiro da morte.

Parece que estou segura mas eu estou morta. 

A vida não pode ser feita do medo,  a vida é a coragem da tragédia.

A tragédia pode ser feia mas é linda. Ela é a substância das minhas verdades.
A tragédia é a ruptura  mas é também a cura. Ela é a massa afetiva que queima e se move pela incandescência. 
Um dia alguém me disse: - você tem vulcões dentro de você.
A tragédia é inocente.

Cheia de fúria e afeto, alegria e crença. 


Crença de que ser feliz sempre será um pouco trágico. Descobertas, rupturas, vontades.

E pela tragédia de não se saber o que vem depois da felicidade.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Ímpeto

E de repente, tudo que eu disse não fez mais sentido, o sentido das coisas e dos sentimentos se perderam, ou se encontraram, longe de mim. Tomaram uma forma aleatória dentro da história que contei.
Súbito, tudo mudou. 
Sou aquela que não entende. 

E de repente, perdi a clareza de todo o sentimento consubstanciado ao significado das coisas. 

E de repente, tudo que eu penso, esqueci.
E de repente, a ruptura do sentido das coisas e dos sentimentos, foi o que me restou. Não sou e não posso mais, não consigo e não sei o quando e nem o porquê de coisa alguma.

Súbito, tudo mudou.

Sou aquela da expansão e do mergulho, vertida no exagero e nos arredores, sou do silêncio vivo do mar.
Não sou mais quem eu acredito. Sou o ímpeto.
O meu eu para quem o sentido lógico, das coisas e de todo o sentimento, é a própria incapacidade de viver.